Dezenove respiradores novos são encontrados em parede falsa no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos no Pará
A coluna antecipou em março a descoberta de uma parede falsa onde repousavam novinhos em folha 19 respiradores pulmonares no Abelardo Santos. O achado se deve a um funcionário do hospital, quando técnicos da Secretaria souberam do aparente sumiço dos equipamentos. Depois da nota, um escritório de advocacia que patrocinava a OS entrou em contato com a coluna negando a informação e prometendo enviar documentos sobre supostas investigações para esclarecer os fatos, o que não aconteceu até hoje. Agora que a informação ganhou repercussão nacional e até mais que isso, o governo do Estado resolveu se manifestar, através da Sespa. Pesou muito nisso a investigação da CNN Brasil, mas o governo tenta aplicar o viés da mentira ao fato usando seus internautas de plantão.
Ontem pela manhã, de São Paulo, o jornalista José Brito, da CNN Brasil, paraense formado pela Unama, entrou em contato e produziu a seguinte reportagem, sem se dignar a fazer referência à coluna – mas isso é café pequeno: lançada há seis meses, com minguados acessos, as pretensões da coluna não vão além da informação, e isso é o que importa. Veja:
“Uma vistoria feita no Hospital Regional Abelardo Santos, a 20 quilômetros de Belém (PA), descobriu 19 respiradores novos em uma ‘parede falsa’ de uma sala da unidade hospitalar. A descoberta aconteceu durante o processo de troca de gestão da Organização Social de Saúde (OS) Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, que administrava o hospital, no dia 22 de março.
A instituição, que fica no Distrito de Icoaraci, é referência no combate à Covid-19, atendia exclusivamente pacientes com a doença até o dia 15. O governo do Pará confirmou à CNNa informação sobre a descoberta dos ventiladores, mas negou a existência de uma parede falsa e afirmou que uma comissão interna está apurando as razões dos aparelhos não terem sido utilizados até aquele momento.
Uma funcionária do hospital afirmou à CNNque os respiradores estavam atrás de uma parede falsa no auditório do prédio e que foi preciso quebrar a parede para terem acesso aos equipamentos. Ela preferiu manter a sua identidade preservada.
Segundo a funcionária, o patrimônio do hospital é contabilizado e os 19 respiradores eram registrados, mas estavam desaparecidos. Por conta disso, ainda de acordo com ela, o setor financeiro da Secretaria Estadual de Saúde estava à procura dos equipamentos, mas a história foi abafada.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, os respiradores foram imediatamente colocados em uso após a realização de uma análise técnica. De acordo com a pasta, o atendimento de pacientes não foi prejudicado. O Estado do Pará registra ocupação de 81,3% de leitos de UTI e 60,1% de ocupação de leitos de enfermaria no sistema público.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará não informou o valor pago por equipamento e nem a data de aquisição. Procurada, a Santa Casa de Pacaembu ainda não se pronunciou”.

A referência do repórter José Brito ao fato de que o hospital (foto) “atendia exclusivamente pacientes com a doença até o dia 15” também foi manchete da coluna na edição desse final de semana: o governador Helder Barbalho determinou quarta-feira 14 a transferência de pacientes que estavam morrendo pelo descalabro administrativo do Abelardo Santos para o Hospital Galileu. A decisão ajuda, mas não resolve o que de pior acontece na saúde pública do Pará: a criminalização de jornalistas, blogueiros ou o que queiram chamar para encobrir malfeitos, desvios de dinheiros públicos e a falta de compromisso com a vida da população, isso tudo diante da cara de paisagem dos órgãos de fiscalização, como já se disse aqui e em blogs como o da jornalista Franssinete Florenzano.
Fique claro desde já: a coluna não tem acordo nem desacordo com o governo, muito menos abriu uma cruzada contra seus maus hábitos. Ao longo de 40 anos de profissão, este que vos escreve aprendeu a não brigar com a informação. Acontece que no Pará do “tudo dominado” as autoridades constituídas se recusam a atender profissionais locais para esclarecer fatos, preferindo se explicar aos profissionais de fora, provavelmente para evitar danos de repercussão nacional – o que nem sempre consegue. Mais: este governo que aí está – e eu respeito na medida certa – jamais me fez qualquer mal e errou – errou feio – ao julgar fazê-lo. Simples assim, sem querer “ser bom demais, nem pretensioso”.
FONTE: COLUNA OLAVO DUTRA


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